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quarta-feira, 27 de abril de 2016

TRUMAN – UM CÃO, A SOLIDÃO E O FIM DA VIDA.

                    
                                

Truman filme do espanhol Cesc Gay (49 anos) é muito mais do que um filme sobre um homem e um cão. É a película que fala sobre as decisões de um homem, JÚLIAN, diante da morte. Interpretado pelo ator argentino RICARDO DARÍN, JULIAN tem câncer e diante da morte resolve enfrentá-la frente a frente, o que causa estranheza aos seus amigos.

O seu melhor amigo, THOMAS, interpretado pelo ator espanhol JAVIER CÁMARA (ambos já haviam trabalhado no filme anterior de CESC GAY,“O que os homens falam”(2012) viaja para passar quatro dias com ele e com isso se despedir do amigo de infância.

Estranhamente, o cão chamado TRUMAN que dá nome ao filme é um coadjuvante e a busca por um novo lar para TRUMAN é uma forma de planejar, também, com quem seu cão deve morrer já que se encontra também velho. Essa observação não é para diminuir o valor de TRUMAN no filme, mas para que o expectador não vá em busca de mais um filme sobre o homem e o cão. 

JULIAN então começa uma viagem, ou pelo menos como ele mesmo fala passa a planejar a “viagem” acompanhado por THOMAS e pela amiga PAULA, DOLORES FRONZI.

Desde a chegada de THOMAS, JULIAN com suas ações demonstra que não quer dar trabalho para ninguém no dia de sua “viagem” e através da preocupação de encontrar um novo lar para TRUMAN busca, também, uma preparação para a sua “viagem”, ou seja, tanto ele quanto TRUMAN estão em busca de um novo lar, ele com a aceitação de sua morte e TRUMAN com o "afastamento" de seu dono e sua nova vida com um novo dono. 

Da mesma forma que não quer dar trabalho pra ninguém com sua suposta morte ou sofrimento, JULIAN também não quer sofrer, para isso demonstra o tempo todo que ele tem a direção de sua vida e que apesar da doença é ele e não ela quem vai decidir quando ele vai partir.

O filme faz nos refletir sobre a solidão no fim da vida, como nos separamos de nossos velhos e bons amigos, como a amizade salva e consolida a vida de uma pessoa, mas principalmente a forma de JULIAN deparar-se com a morte nos leva a pensar se realmente é possível preparar-se para ela.

A amizade entre JULIAN e THOMAS é um outro ponto de destaque do filme, pois mesmo não concordando inicialmente com o comportamento do amigo, THOMAS aos poucos vai cedendo e sendo convencido de que JULIAN tem razão na sua forma de pensar e aceitar a sua “viagem” da forma como ele a aceita. 

As várias situações envolvendo este tema é o ponto principal do filme. Mostra que amigos, independente de suas ideias, de suas crenças, diante de uma verdadeira amizade aceitam o outro amigo como ele é. Assim THOMAS acompanha em quatro dias o planejamento de JULIAN em decisões diante da morte. 

TRUMAN, seu cão, é o seu fiel parceiro e JULIAN demonstra o tempo todo a preocupação em deixar seu parceiro em local onde ele possa ser tratado da melhor forma, ou seja, da mesma forma como ele o trata. São memoráveis as cenas em que JULIAN e TRUMAN tem que se separar e a forma como JULIAN acaba colocando defeito em todos os candidatos a “novo dono” de TRUMAN.


DARIN nos traz um JULIAN seco, sarcástico, ateu mais espiritual(ou espirituoso?), um homem que quer ser perdoado e perdoar, que quer redenção, mas também quer ir na sua viagem sem levar nada a não ser suas próprias crenças. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SOMOS TODOS CHARLIE HEBDO?




Desde a segunda Guerra Mundial não se tinham notícias de uma onda migratória tão grande para Europa como se tem notícia após o início da “Primavera Árabe”, ou seja, uma série de manifestações e protestos que tomaram conta do Oriente Médio e do norte da África a partir de dezembro de 2010. Essas manifestações mudaram totalmente as perspectivas políticas, econômicas e a geopolítica mundial.


Diferente das manifestações de rua brasileira, o que se viu na região foram deposição de governos, guerras civis, revoluções, reestruturações políticas, econômicas, geopolíticas e crises sociais.

Há ainda muitas regiões em conflito. A Síria é um exemplo de país onde as mudanças oriundas da Primavera Árabe ainda não terminaram. O conflito iniciado em janeiro de 2011 através de manifestações populares, utilizando-se, inclusive, as mídias e as redes sociais buscava inicialmente liberdade de imprensa e a defesa dos direitos humanos, o fim do regime Bashar Al Assad, com a proposta de uma transição de regime.

Ocorreram manifestações em frente ao Parlamento Sírio e embaixadas estrangeiras, tendo como resposta do Presidente Bashar Hafez al-Assad a utilização da violência através da policia e  exército, buscando reprimir e parar as manifestações, o que não conseguiu.

O acirramento da guerra civil ocorreu após março de 2011, quando parte dos oficiais do exército sírio desertaram, dando início a formação do Exército Sírio Livre, passando este último a ocupar parte da Síria. A guerra civil alastrou-se pelas cidades tomadas pelo Exército Sírio Livre e quem mais tem sofrido desde o início da guerra são os civis que são vítimas de ambos os lados.


Atualmente a Síria se encontra dividida em áreas “ocupadas” pelo Governo do Presidente Bashar Hafez al-Assad, Exército Sírio Livre, Estado Islâmico, Unidades de Proteção Popular(Forças Curdas), Frente Al-Nusra e a Oposição Síria.

A história da família Kurdi é uma das tantas de imigrantes sírios que tentaram fugir da guerra e chegar à Europa. Pode ser também um resumo da dor de outros que fogem de seu país de origem, buscando ajuda humanitária em outros países.

Em 04 de setembro de 2012  Abdullah Kurdi, juntamente com sua mulher Rehanna e seus filhos Aylan(três anos) e Ghalib(cinco anos) tentaram chegar a Europa através do Mar Egeu em um barco com condições precárias( e que lhe custou R$ 16.500,00 pago a um  traficante), com destino às ilhas Kos na Grécia e posteriormente Canadá.

A família já havia presenciado a guerra em Damasco fugiu para uma cidade próxima a Kobane e quando eclodiu a guerra em Kobane entre o Estado Islâmico e as Forças Curdas buscou a Turquia.

A família Kurdi não possuía qualquer documentação que comprovasse a sua “saída” da Síria, evidentemente, que em condições de guerra a busca de um novo país pra viver e receber cidadania se tornam mais difíceis. E a Turquia não lhes deu cidadania, ao contrário, as regras impostas àqueles que fogem da guerra sinaliza para que vivam pelo menos um ano com liberdade de locomoção, mas para isso teriam que ter passaportes sírios, o que a família Kurdi nunca teve.

Assim, sem a comprovação de sua “saída” da Síria documentada através de passaportes e vivendo irregularmente na Turquia não restou alternativa à família Kurdi a não ser tentar chegar a Europa através do mar. O final foi trágico, morreram 12 pessoas na travessia, outra embarcação também teve fim trágico. E Abdullah Kurdi perdeu seus filhos e sua mulher.

A imagem de Aylan Kurdi( ou Alan) rodou o mundo e chamou a atenção para a ajuda humanitária para a região bem como para a discussão sobre a questão migratória que assola a Europa e que é hoje um dos temas mais contundentes tanto para a saúde interna do continente quanto para a geopolítica internacional.

Depois de toda a comoção que tomou conta das redes sociais e a discussão pelos órgãos internacionais de direitos humanos, o jornal francês CHARLIE HEBDO lançou em seu último número uma charge que mostra dois homens correndo atrás de duas mulheres, com a frase: "Migrantes: no que teria se transformado o pequeno Alan se tivesse crescido?". E abaixo a resposta: "Apalpador de bundas na Alemanha".

Lembramos que em 07 de janeiro de 2015 o Charlie Hebdo foi vítima de um ataque por homens armados que resultou na morte de 12(doze) pessoas. O ataque “terrorista” ao jornal levou a comoção internacional e as várias mídias com a hastag #jesuischarliehebdo espalhou-se pelo mundo dando apoio ao que o jornal diz ser “liberdade de imprensa”.

Há de se lembrar de que o ataque ao Charlie Hebdo se deu devido a uma charge onde ridicularizava o profeta Maomé o que, também, não justificava o ataque e nem às mortes das doze pessoas.

A publicação do Charlie Hebdo refere-se à noite do dia 31 de dezembro de 2015, na cidade de Colônia, Alemanha (que registrou no ano de 2015 1,1 milhão de pedidos de asilo) quando cerca de 1.000 pessoas se aglomeraram próximo a Estação Central de trens de Colônia. Houve no réveillon de Colônia ataques a mulheres e crimes sexuais registrados pela polícia nas imediações da Estação Central. Na maioria das acusações de crimes sexuais, as mulheres acusavam “imigrantes”, com as características de árabes ou norte africanos.  


E o que AYLAN KURDI, tem a ver com os “apalpadores de bunda” da Alemanha? O jornal Charlie Hebdo (se é que podemos chamá-lo assim) extrapola o nível do que é aceitável em relação aos direitos humanos. Sua posição em nada acrescenta ao debate emigração/xenofobia, ao contrário, inflama uma parte da direita em países europeus que veem os imigrantes como a “peste negra” do século XXI.


A rainha Rânia da Jordânia nos dá outra alternativa para a publicação feita pelo Charlie Hebdo referente ao "futuro" de Aylan, bem diferente da visão xenófoba do Charlie Hebdo, ela divulgou o desenho do caricaturista jordaniano Osama Hajjaj,  respondendo a pergunta: No que teria se transformado o pequeno Aylan se tivesse crescido?". Ela responde: "Aylan poderia ter sido médico, professor ou um pai carinhoso".

Até onde “isso” que o Charlie Hebdo pratica deve ser estimulado? Somos todos mesmo Charlie Hebdo ou somos um monte de Aylans enterrados com a cara na areia mortos, desterrados e sem esperança nenhuma na humanidade?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

QUE HORAS ELA VOLTA? A Hipocrisia da ascensão social brasileira.



O filme “Que horas ela volta?” de Anna Muylaert traz a tona a discussão de como a ascensão social em nosso país é considerada ainda uma anomalia. O filme mostra uma família de classe média onde as relações internas estão bem delineadas, além de mostrar que a ascensão das mulheres após saírem de casa, dependeu também de que outras mulheres, que em busca da mesma liberdade trocaram seu “lugar” em troca do trabalho e uma melhora de vida.


No filme a empregada doméstica, VAL (interpretada por REGINA CASÉ) que migrou de Pernambuco para São Paulo(como tantos outros nordestinos) é  empregada doméstica da residência onde moram uma família de classe média composta por um pai que não sabe ainda que perdeu o poder da família patriarcal, uma mãe que é uma das facetas da mulher emancipada e que trabalha e conduz a família e um filho mimado que tem todas as suas vontades feitas pelos pais.


Parece uma descrição simples de uma família, mas não é. A personagem VAL é colocada o tempo todo contra o que acredita como verdade. E não estamos falando de uma “posição social” o que fica claro em seu comportamento, mas algo já consciente em nossas relações sociais onde cada um sabe onde ocupa seu espaço, claramente, uma herança das relações escravagistas e que perduram no inconsciente do brasileiro.Assim, VAL o tempo todo percorre o filme em seu “quadrado”: cozinha, quartinho de fundos, área externa e “naturalmente” é expurgada de outros cômodos da casa, ficando às claras como são as relações de força, e, como se desloca em sua “senzala particular”. De uma forma onde se acostumou ou foi  “enquadrinhada” em “seu” espaço de forma que seu corpo amolda-se completamente às suas funções na casa.


Da mesma forma que Val demonstra que a sua ascensão social se deve ao seu amoldamento às sua funções na casa, a sua patroa, BARBARA, interpretada por Karine Teles, deixa claro que as mulheres com sua emancipação viraram o jogo dentro das regras antes patriarcais deixando claro que assumiram a direção tanto financeira quanto de chefia de famílias (mesmo que o seu marido, CARLOS, interpretado por Lourenço Mutarelli ache que quem “manda” ainda seja ele).


Mas a questão não se coloca na luta feminista e nem sobre a emancipação da mulher o filme deixa claro o abismo existente nas relações sociais brasileiras e como elas ainda estão imbricadas das relações anteriores da CASA GRANDE X SENZALA. Assim, VAL deixa claro em determinado momento que ninguém ensinou a ela o seu “lugar”, como ela mesma afirma: “a gente já nasce sabendo”.


Se o comportamento do brasileiro sempre se diferenciou da “casa” para a “rua”, a casa sempre foi um local onde o poder emanava de uma hierarquia que já vinha datada. Val sabe muito bem por onde deve se deslocar da mesma forma, o que comer. E sabe que não deve comer o que os seus patrões comem e que quando lhe oferecem algo é por “educação”, e que ela deve dizer não.


O filme soa atemporal. Sua atemporalidade está na questão da emigração Nordeste – São Paulo, bem como na cinemática dos corpos dentro da casa. São dois itens que o coloca em qualquer época depois dos anos 90 do século XX, ou até antes.


As relações já delineadas e postas são questionadas com a chegada de JÉSSICA, filha de VAL que vai para São Paulo tentar o vestibular de Arquitetura. Assim, o que antes soava como impossível, uma nordestina pobre pensar em ser arquiteta, vira um possibilidade, ínfima para a família burguesa que vê com assombro o comportamento da filha da empregada e desdenha de seu sonhos que se confrontam diretamente com o comportamento de FABINHO que, diferente de JÉSSICA, terá muitos mais chances de ascender socialmente.


O vestibular é o liame ou a encruzilhada onde JÉSSICA se envolve para buscar uma vida melhor. É claro que há outras forma de empoderamento e ascensão das classes proletárias, mas o filme mostra que o conhecimento, ou acesso ao conhecimento, pode emancipar parte da juventude pobre. Mas não é só através do vestibular, mas este não é um caso de discussão neste texto.


JÉSSICA diferente de VAL desconhece as regras da casa, não se comporta como empregada, apesar de ser “filha de”, não reconhece a diferença do “sorvete da empregada” para o “sorvete dos patrões”, não se reconhece na mãe e soa para a família burguesa arrogante e grosseira. Mas como ser diferente? O seu corpo não foi docilizado como o da sua mãe, e, diante do que havia aprendido em sua escola e inspirada por um professor de história acredita que tem possibilidade de “disputar” o mesmo espaço com os filhos da burguesia.


O melhor do filme é essa construção de como os corpos ocupam determinados espaços e ficam claro que a ascensão social em nosso país mudou após a abertura política, fim da inflação e que muitas conquistas têm seus dois lados (no caso a luta feminista) ou fazem parte da mesma página, no fim é um chute no estômago e na hipocrisia brasileira que teima em dizer que “a empregada faz parte da família”. Não, não faz.  

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O GOLEIRO “ARANHA” NÃO É MACACO

Goleiro Aranha do SANTOS
Mais uma vez o esporte é invadido pela visão distorcida de “torcedores” (será que podem ser chamados assim?) que se acham mais importantes que outros ou melhores por causa da sua cor da pele ou até localização geográfica? O esporte sempre foi um bom exemplo de como as diferentes formas de organização de nossa sociedade se juntam,formando um amalgama quase único. Pois, quando vestidos com a mesma “camisa” do time e juntos torcendo, ninguém pensa em si ou pelo menos o seu corpo não está sozinho em relação aos outros. O corpo de um torcedor não é dele, forma um organismo maior chamado torcida e aí tudo vale: gritos, urros, xingamentos, vaias, etc.

Mas essa cinemática de corpos embalsamados por uma “camiseta” da mesma agremiação formando um corpo único: a torcida,  pode às vezes, conter pessoas que conseguem expor seus pensamentos, frustrações e mesmo utilizar de suas subjetividades e preconceitos para se enaltecerem em cima do “outro”. E este “outro” deixa de ser aquele que pode responder com os mesmos movimentos do corpo e da “massa”, esse “outro” passa a ser molestado não por pertencer a uma agremiação, a um time, a uma torcida, o “outro” torna-se um inimigo que será atingido em sua dignidade e honra pessoal. No caso o futebol tem nos mostrado essa faceta ridícula e infame onde os preconceitos  são chamados à baila para ofenderem o “outro” seja pela sua etnia, raça, posição social, etc. Mas a mais comum nos últimos tempos é a Injúria Racial.

No jogo entre Grêmio X Santos, na Arena Grêmio, pela Copa do Brasil, em 28 de agosto de 2014, às 20 horas, repetiu-se a cena de pessoas emitindo sons e se coçando como macacos para ofender o goleiro do Santos, o Aranha. Neste caso não houve Bananas, como o ocorrido com Daniel Alves, no Barcelona, o nosso Aranha teve que engolir a seco os xingamentos e a mímica imbecilizante, mas de forma forte e firme bateu nos pulsos mostrando que tinha orgulho do sangue que corre em sua veias e o árbitro ao invés de fazer algo, pelo menos diminuir a dor do arqueiro(como nos velhos tempos) ainda o chamou a atenção falando que ele estava incitando a torcida.

Em entrevista o Aranha disse que aguentou “tranqüilo” os xingamentos que são normais no futebol, mas quando começaram a lhe chamar de “PRETO FEDIDO” e “CAMBADA DE PRETOS” e depois imitarem macacos ele não mais aguentou e correu pedindo que um repórter fotográfico filmasse a cena, apontando para as pessoas e “um cara de preto”, mas quando o cinegrafista virou a câmera eles já não faziam mais o gesto. O goleiro ficou indignado e o jogo retornou logo depois.

As reportagens que se seguiram causaram mais incômodo do que vontade de responder ao ocorrido no campo. Um dos representantes do Grêmio estava mais preocupado em falar da expulsão do técnico FELIPÃO do que do ocorrido com o goleiro Aranha. Demonstrando total falta de compostura, dizendo que se identificando o torcedor ele seria punido, mas como?

Na verdade há uma confusão conceitual na forma da imprensa se portar em relação ao crime de Injúria Racial. Na hora, no momento do “evento” o que vemos os repórteres falarem é a palavra Racismo, há uma grande diferença entre o crime de Injúria Racial e o racismo. Primeiramente a Injúria qualificada, no caso e é quando alguém é ofendido quanto a sua dignidade ou decoro, significa injuriar alguém utilizando para isso subjetividades ou elementos quanto a sua cor, raça, etnia, religião, origem, ou pessoa idosa ou ainda portadora de deficiência. No caso do goleiro Aranha do Santos é denominada Injúria Racial (Art. 140, parágrafo 3º do Código Penal). Quanto ao racismo, previsto na Lei 7716/89 é quando alguém deixa de galgar determinado direito impedido pela sua raça ou cor, sendo imprescritível e inafiançável, enquanto a injúria tem pena de reclusão de um a três anos e multa.

Mas a minha didática em explicar a diferença penal é mero caso ilustrativo para diferenciar a forma de como nós pensamos em relação aos pré-conceitos formados em grande parte da nossa História, quase de forma sigilosa ou travestida pelo “mito da democracia racial”, não somos esse caldeirão de misturas étnicas que “deu certo”. Há muitas frentes e fronteiras para serem abertas e muitas feridas que ainda sangram, apesar de que para alguns isso é pura mentira, pois “tem amigos pretos ou sua empregada é preta”. Fico aqui com as palavras do nosso Grande Goleiro do Santos Aranha: “EU SOU NEGÃO... TENHO ORGULHO DE SER NEGÃO!”. Eu também Aranha... Eu também... WS
OBS: Utilizei a alcunha de “ARANHA” intencionalmente, seu nome é Mário Lúcio Duarte Costa.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ELEIÇÕES 2014: SOPA DE LETRINHAS


Interessante e instigante as movimentações sobre as eleições de 2014. Mesmo que o Governador critique a antecipação do debate eleitoral, não há como prever no tabuleiro atual como acabarão as alianças em torno do governo e a manutenção da base aliada que o elegeu. A política capixaba há muito convergia entre um ou outro grupo e atualmente há uma diversidade mais baseada em uma nova divisão geopolítica, mesmo que os personagens não tenham mudado tanto. Assim, o PT que tem no plano nacional aliança com o PMDB aqui está, até agora, na base aliada do Governo.

Embora o Presidente Estadual do partido não descarte nada, ou seja, vai aguardar as movimentações para que possa dizer para onde o partido irá em 2014. O PR de Magno Malta aqui no ES oferece palanque para a reeleição de Dilma e claro pretende lançar seu próprio candidato ao Governo do Estado. O PMDB pensando em uma candidatura própria, por enquanto fala em Ricardo Ferraço para 2014 e já abandonou a base aliada do Governo Estadual, apesar das permanências dos Secretários de Transportes e Obras Públicas e o Chefe da Casa Civil nos cargos e da saída anterior do Presidente da CESAN.

Ao que tudo indica Dilma teria, no tabuleiro eleitoral de hoje, dois palanques diferentes no Estado e ainda teria a “neutralidade” do Governador Renato Casagrande. Sobre a antecipação do debate, discordo das opiniões que dizem que está cedo para que haja as movimentações. A diferença das ultimas eleições para agora é que o plano nacional vai influenciar sim as eleições estaduais, mesmo que os partidos mostrem-se tão híbridos e tão parecidos programaticamente, os interesses partidários convergem para uma mudança de personagens em 2014. Talvez algumas figurinhas repetidas apareçam no álbum, mas por enquanto, nada está tão certo que não nos coloquem espectadores atentos a outro “abril sangrento". 

PS: Abril Sangrento é como ficou conhecido o mês de abril nas ultimas eleições a Governador quando por influência de Paulo Hartung foi apresentado o candidato Renato Casagrande para Governador, quando a mídia esperava que fosse Ricardo Ferraço o candidato de consenso(foto). 

UMA ASSEMBLEIA MUDA, CEGA E SURDA



Há muito nossa Assembleia Legislativa já não ouve a voz das ruas, a não ser quando a voz vem acompanhada de apitos, máscaras e violência. A eleição do deputado Sérgio Borges é no mínimo incoerência. Condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado por improbidade administrativa, Sérgio Borges (PMDB) ganha o cargo vitalício no Tribunal de Contas votado por 16, isso mesmo, dezesseis deputados. Com a “desculpa” de que a condenação por improbidade não pode ser considerada, pois ainda não foi transito e julgado em ultima instância vê-se que as velhas artimanhas pelo poder no Espírito Santo continuam e que a renovação que se pregava no Governo Hartung ou ao final deste, hoje não passa de um “mais do mesmo”.  

Pior, fica claro que a ALES não quer nem saber do que é a “opinião pública” e que esta não lhe dói nos ouvidos, nem sequer merece ser consultada. Se há esse “claro” em nossa Constituição (a questão do transito em julgado) é um fator que dever ser levado em conta na análise de cada candidato ao cargo vitalício de Conselheiro do Tribunal de Contas. Ora, um fiscal do nosso dinheiro tem que ter “ficha limpa” sim. Independente, se houve ou não condenação em trânsito e julgado.


Por outro lado há de se considerar que o Cargo de Conselheiro Vitalício do TC há muito vem sendo um “troféu” pela fidelidade de algumas figuras políticas em nosso Estado a determinados grupos políticos, e é claro a eleição de Borges de 65 anos e que ficará até aos 70 anos no TC leva a uma nova configuração daquela casa e leva para o TC a contradição dos Hartunguistas X Casagrandistas. Ou seja, não é simplesmente uma questão de corporativismo interna corporis da ALES. É muito mais que isso e basta agora aguardar os próximos capítulos que deságua em 2014, ou seja, nas próximas eleições. 

OS FATORES HARTUNG E MARINA


Pesquisas Eleitorais são um “Flash” do momento político, trazendo para o dia-dia são a tabela do Brasileirão em cada rodada. Ou seja, daqui a pouco quem estava fadado a ser jogado para a 2ª Divisão, renasce e chega respirando sem a necessidade de aparelhos. Assim são as pesquisas, mesmo que aponte rumos, são as preliminares ou o acompanhamento do que está acontecendo, mas não é o resultado final, bem como podem ter “influências” que pesam na valoração da analise dos resultados apresentados.
A Gazeta política publicou hoje um flash do momento de sucessão ao Governo Estadual e ao Senado(com uma vaga). Creio que na avaliação dos dados faltou um fator: o fator Paulo Hartung (citado daqui em diante pela sigla PH).
Caso PH seja candidato ao Senado Federal apoiando Ricardo Ferraço como Candidato ao Governo Estadual e o Governador Renato Casagrande mantenha-se em cima do muro para a eleição a Presidência, nada será como antes, nem como pinta a Pesquisa da Futura.
É muito fácil colocar colocar um cenário sem atritos, como se fossem sem influência, um com o outro, mas sabemos que não é. O candidato ao Senado influencia a candidatura a Governador e vice-versa, bem como o(a) presidenciável influencia a eleição a governador e vice-versa. Não há como fugir disso, talvez seja um enigma político esse emaranhado de poder-poder brigando em torno do próprio poder.
O Diretor da Futura em entrevista a Gazeta afirmou que: “Considerando os números da pesquisa a entrada de Hartung mudaria o cenário da eleição em primeiro turno para uma disputa apertada em segundo turno”. Isso ele afirma pensando na possibilidade de PH candidatar-se ao Governo. Mas esquece-se que PH já está trincheira, ou seja, caso candidate-se ao Senado e apóie Ricardo Ferraço, fechando as feridas do “Abril Sangrento”, Ferraço ganhará “Capital Político” e o 2º turno poderá ser Casagrande X Ferraço, com PH apoiando o segundo. 
Enquanto Casagrande promete ficar em cima do muro em relação a sucessão presidencial, pela pesquisa da Futura, fica claro que novamente a oposição, diga-se Marina, caso seja a candidata pelo PSB/REDE, pode ser um diferencial no ES e talvez em muitos outros estados em que a presença da dobradinha PT /PMDB não seja bem-vinda. Pela pesquisa ela ganha no Espírito Santo com tranqüilidade de Dilma, se eu fosse ela passaria pelo menos alguns dias do Verão em nossas praias.
A sombra de PH e de Marina sobrevoam as eleições no ao Governo e a Presidência da República, para Casagrande a opção de ficar “em cima do muro” talvez não seja tão boa quanto parece...