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MEIA NOITE EM PARIS - O VELHO E BOM WOODY ALLEN DE VOLTA.

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Woody Allen conseguiu acertar a mão depois de tantos anos, seu último filme traz a memória os seus melhores momentos e isto reflete nas bilheterias. “Meia Noite em Paris” é o seu filme de melhor bilheteria, batendo depois de tantos anos “Hannah e suas irmãs” (1986). A questão não é que o diretor tenha se afastado da sua melhor forma, mas que volta a ter a simplicidade e o estilo que o marcou principalmente nas décadas de 80 e 90. Brincando com o tempo, o diretor consegue nos levar a refletir sobre qual é a melhor época para se viver: o hoje ou em algum lugar do passado, se você fosse escolher qual a década que queria viver e aonde? Essas são as perguntas chaves para compreender a luta do seu alterego no filme, Owen Wilson, na pele de Gil Pender, um escritor frustrado que não consegue escrever, mas encontra a sua inspiração numa Paris dos anos 1920, pois quando adentra um veiculo à meia noite passa a conviver com vários de seus escritores e artistas favoritos, o que lhe dá inspir...

OS JOVENS E A QUESTÃO RACIAL NO BRASIL - SOBRE "PRECIOSA" e "UM SONHO POSSÍVEL".

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Dois filmes que concorreram ao Oscar 2010 fazem uma reflexão sobre a relação do negro com a violência. São eles: “Um sonho possível” e “Preciosa: uma história de esperança”. Em ambos temos dois jovens negros moradores de periferias, com famílias desestruturadas, envolvimento dos parentes com drogas e violência familiar. A única ligação dos dois jovens com a sociedade é a escola, onde apesar de todas as dificuldades eles continuam a freqüentar. Em “Um sonho possível”, o jovem Oher frequenta a escola, com a desconfiança do corpo pedagógico que não vê nele perspectiva de aprendizagem. No filme “Preciosa: uma história de esperança”, a adolescente Clairee “Preciosa” Jones é expulsa da escola(uma expulsão branca). Ao ser “tranferida” para uma escola especial, ela passa a compartilhar a sua dor e ao mesmo tempo lidar com a sua mãe que também a violenta. É na escola que ela inicia sua jornada para uma mudança radical em sua vida marcada pela falta de perspectivas. O preconceito ...

NEGROS, MÍDIA E VIOLÊNCIA - AS NOTÍCIAS NOS JORNAIS.

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Este texto faz uma reflexão sobre três fatos e suas relações com a mídia, principalmente os jornais, nos três momentos os fatos narrados apesar de estarem separados pelo tempo, motivo e local, não impedem de que haja uma avaliação e uma análise da mídia quanto à importância do negro na sociedade brasileira. Nos três momentos podemos ver como a mídia trabalha a “figura” do negro e como isso é um reflexo de nosso passado escravista, como também do “mito da democracia racial” que está enraizado na cultura brasileira e impede avanços que seriam interessantes para as relações raciais no Brasil. Primeiro caso: em um curso da Policia Civil do Rio de Janeiro em 2008(curso para a Delegacia Legal), uma das boas políticas de segurança pública mantida há décadas pelos governos do RJ, houve em uma palestra a apresentação do negro como traficante e o usuário como branco, além da policia apresentar-se como repressora. Entre desculpas, além da retirada e promessa de “atualização” dos palestra...

FAVELAS - A VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA

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A violência urbana que atinge aos nossos jovens não os atinge de forma homogênea. O crime no Brasil difere as classes sociais, assim como separa a cor. O crime no Brasil tem endereço certo: as favelas e as regiões periféricas das grandes cidades. Como também tem seu seus principais atores já condicionados pelo habitar e pelo estigma de pertencer a uma “comunidade”, são eles jovens entre 15 e 24 anos, pobres e negros. Pesquisas demonstram que os crimes ocorrem e demandam de acordo com o local, a moradia, o poder aquisitivo e a etnia. Falar sobre violência entre jovens é tocar em feridas mal cicatrizadas e que vão de encontro ao pensamento dominante e do senso comum de que as relações raciais brasileiras sempre foram por assimilação e não por segregação. O mito da democracia racial engendrado na nossa cultura histórica e reproduzido como um mantra durante muitos anos nos livros didáticos cai por terra quando analisamos todo o contexto atual em que morrem essa massa de jovens das p...

Estado e Pobreza

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Estamos assistindo neste final do milênio a uma das suas últimas revoluções, esta não só mudou a cara do mundo, mas adentrou residências, modificou hábitos e fez com que o mundo se tornasse pequeno: a revolução da informática. Ela não vem sozinha, mas acompanhada do processo de globalização que fez com que uma grande parte dos países iniciassem mudanças estruturais em áreas governamentais. No Brasil não é diferente, mesmo com a resistência de parte da classe política, o que vemos é que adentraremos o próximo milênio com o paradigma do Estado Nação x Estado mínimo. Aquele estado protecionista que mantinha monopólios(“o petróleo é nosso”) não só pereceu mas fez com que a nova classe política ficasse entre a cruz e a espada, ou melhor, entre o assistencialismo e a reciclagem( terceira via). Os novos governantes não têm como manter o “Estado Mercantilista”, como nos ensina o historiador Jorge Caldeira, em seu último livro, pois o Estado brasileiro não adaptou-se à globalização, embora ...

OS ESCÂNDALOS DAS PREFEITURAS E A BUSCA DA POLÍTICA

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A saída de Antônio Palocci do governo só vem mostrar no plano macro o que vem ocorrendo em pequenas gotas em todo o país: corrupção, dinheiro público mal utilizado, obras feitas pela metade, prefeitos eleitos por grupos de empresários que depois cobram o preço da eleição, vereadores que não compreendem o seu verdadeiro trabalho e não supervisionam os prefeitos, tribunais de contas presos a cargos políticos, vice-prefeitos que não tem vínculo nenhum com quem lhe elegeu e por isso nem aparece na prefeitura, etc. O que poderia mudar isso seria uma reforma política consistente. Para isso deveríamos discutir como deve ser o financiamento da candidatura, colocar limites na utilização do capital via doações, fiscalização mais forte do TRE e principalmente acabar com o sistema de voto atual que faz com que grupos se alternem no poder, mas renovação quase nenhuma é possível.  Se o voto distrital fosse utilizado teríamos a quem cobrar e por consequência o eleito pensaria duas vezes ...

ABDIAS DO NASCIMENTO: Um Combatente que nunca ensarilhou sua arma.

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Há algumas pessoas que suas carreiras se misturam e entrelaçam com as suas atividades, como se ela não existisse sem aquela ação (sua práxis) e ao analisarmos sua biografia sua luta se confunde com seu próprio caminho, creio que foi assim com Abdias do Nascimento. As suas bandeiras (sim no plural), sua atuação como militante do movimento negro confunde-se com sua própria vida, o que torna quase impossível discernir o ser humano do “homem político”. Assim, em vez de buscar o homem político e destaca-lo escondendo o ser humano, preferi assistir ao documentário que se encerra como uma homenagem a Abdias do Nascimento, mas nos mostra o testemunho ainda em vida do homem que se confunde com sua própria trajetória.  Abdias do Nascimento nasceu a 14 de março de 1914 na cidade de Franca em São Paulo e faleceu em 24 de maio de 2011. A sua primeira experiência de solidariedade racial aconteceu quando sua mãe interviu junto a uma senhora que surrava um menino negro que perambulava pela...