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FOBÓPOLE: A CIDADE DO MEDO

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Nos últimos dez anos acompanhamos o crescimento da violência nas cidades e em consequência o seu alastramento tomando cidades do interior. Algumas percepções do medo irradiado nas metrópoles passaram a ser preocupação também dos moradores da zona rural ou de cidades mais afastadas das capitais brasileiras. Uma urbanização inconsequente  criou metrópoles tomadas pelo medo, o que um autor cunhou de Fobópole (SOUZA, 2008), ou, cidade do medo, derivadas das palavras gregas phóbos (medo) e polis (cidade). Nelas, as conversas e noticiários da imprensa giram em torno do medo de se tornar mais uma vítima da violência, gerando assim atitudes do Estado e da Sociedade Civil, de forma a reprimir, prevenir ou se defender de um suposto ato violento, ocorrendo conseqüentemente alterações no planejamento da cidade, no seu desenvolvimento e na democracia (Souza, 2008:09). Uma cidade do medo faz com que as pessoas modifiquem seus hábitos diuturnamente, onde os laços sociais são de po...

UMA RUA CHAMADA VALONGO

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Uma descoberta reacende a discussão de como são mantidos os sítios arqueológicos e históricos no Brasil: a descoberta em março das ruínas do Cais do Valongo no Rio de Janeiro. Com a chegada dos jogos olímpicos de 2016 a cidade passa por uma reforma e a zona portuária é um dos locais que precisam ser embelezados para os nossos turistas. O achado arqueológico foi localizado entre uma praça, o morro da Providência, o Elevado da Perimetral e a Praça Mauá, sob a Av. Barão de Tefé. O Cais do Valongo foi construído em 1758 com o único objetivo de receber os navios negreiros, suas atividades duraram até 07 de novembro 1831, pelo menos oficialmente, quando as leis para “inglês ver” proibiram as importações de escravos. Até 1758 a venda de escravos se fazia ao longo da Rua Direita, a mais antiga do Rio, mas devido ao estado de saúde dos africanos e o medo de contágio por doenças foi construído o Cais para que a “cidade européia” que vivia as expensas do trafico negreiros e do trabalho esc...

MEIA NOITE EM PARIS - O VELHO E BOM WOODY ALLEN DE VOLTA.

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Woody Allen conseguiu acertar a mão depois de tantos anos, seu último filme traz a memória os seus melhores momentos e isto reflete nas bilheterias. “Meia Noite em Paris” é o seu filme de melhor bilheteria, batendo depois de tantos anos “Hannah e suas irmãs” (1986). A questão não é que o diretor tenha se afastado da sua melhor forma, mas que volta a ter a simplicidade e o estilo que o marcou principalmente nas décadas de 80 e 90. Brincando com o tempo, o diretor consegue nos levar a refletir sobre qual é a melhor época para se viver: o hoje ou em algum lugar do passado, se você fosse escolher qual a década que queria viver e aonde? Essas são as perguntas chaves para compreender a luta do seu alterego no filme, Owen Wilson, na pele de Gil Pender, um escritor frustrado que não consegue escrever, mas encontra a sua inspiração numa Paris dos anos 1920, pois quando adentra um veiculo à meia noite passa a conviver com vários de seus escritores e artistas favoritos, o que lhe dá inspir...

OS JOVENS E A QUESTÃO RACIAL NO BRASIL - SOBRE "PRECIOSA" e "UM SONHO POSSÍVEL".

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Dois filmes que concorreram ao Oscar 2010 fazem uma reflexão sobre a relação do negro com a violência. São eles: “Um sonho possível” e “Preciosa: uma história de esperança”. Em ambos temos dois jovens negros moradores de periferias, com famílias desestruturadas, envolvimento dos parentes com drogas e violência familiar. A única ligação dos dois jovens com a sociedade é a escola, onde apesar de todas as dificuldades eles continuam a freqüentar. Em “Um sonho possível”, o jovem Oher frequenta a escola, com a desconfiança do corpo pedagógico que não vê nele perspectiva de aprendizagem. No filme “Preciosa: uma história de esperança”, a adolescente Clairee “Preciosa” Jones é expulsa da escola(uma expulsão branca). Ao ser “tranferida” para uma escola especial, ela passa a compartilhar a sua dor e ao mesmo tempo lidar com a sua mãe que também a violenta. É na escola que ela inicia sua jornada para uma mudança radical em sua vida marcada pela falta de perspectivas. O preconceito ...

NEGROS, MÍDIA E VIOLÊNCIA - AS NOTÍCIAS NOS JORNAIS.

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Este texto faz uma reflexão sobre três fatos e suas relações com a mídia, principalmente os jornais, nos três momentos os fatos narrados apesar de estarem separados pelo tempo, motivo e local, não impedem de que haja uma avaliação e uma análise da mídia quanto à importância do negro na sociedade brasileira. Nos três momentos podemos ver como a mídia trabalha a “figura” do negro e como isso é um reflexo de nosso passado escravista, como também do “mito da democracia racial” que está enraizado na cultura brasileira e impede avanços que seriam interessantes para as relações raciais no Brasil. Primeiro caso: em um curso da Policia Civil do Rio de Janeiro em 2008(curso para a Delegacia Legal), uma das boas políticas de segurança pública mantida há décadas pelos governos do RJ, houve em uma palestra a apresentação do negro como traficante e o usuário como branco, além da policia apresentar-se como repressora. Entre desculpas, além da retirada e promessa de “atualização” dos palestra...

FAVELAS - A VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA

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A violência urbana que atinge aos nossos jovens não os atinge de forma homogênea. O crime no Brasil difere as classes sociais, assim como separa a cor. O crime no Brasil tem endereço certo: as favelas e as regiões periféricas das grandes cidades. Como também tem seu seus principais atores já condicionados pelo habitar e pelo estigma de pertencer a uma “comunidade”, são eles jovens entre 15 e 24 anos, pobres e negros. Pesquisas demonstram que os crimes ocorrem e demandam de acordo com o local, a moradia, o poder aquisitivo e a etnia. Falar sobre violência entre jovens é tocar em feridas mal cicatrizadas e que vão de encontro ao pensamento dominante e do senso comum de que as relações raciais brasileiras sempre foram por assimilação e não por segregação. O mito da democracia racial engendrado na nossa cultura histórica e reproduzido como um mantra durante muitos anos nos livros didáticos cai por terra quando analisamos todo o contexto atual em que morrem essa massa de jovens das p...

Estado e Pobreza

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Estamos assistindo neste final do milênio a uma das suas últimas revoluções, esta não só mudou a cara do mundo, mas adentrou residências, modificou hábitos e fez com que o mundo se tornasse pequeno: a revolução da informática. Ela não vem sozinha, mas acompanhada do processo de globalização que fez com que uma grande parte dos países iniciassem mudanças estruturais em áreas governamentais. No Brasil não é diferente, mesmo com a resistência de parte da classe política, o que vemos é que adentraremos o próximo milênio com o paradigma do Estado Nação x Estado mínimo. Aquele estado protecionista que mantinha monopólios(“o petróleo é nosso”) não só pereceu mas fez com que a nova classe política ficasse entre a cruz e a espada, ou melhor, entre o assistencialismo e a reciclagem( terceira via). Os novos governantes não têm como manter o “Estado Mercantilista”, como nos ensina o historiador Jorge Caldeira, em seu último livro, pois o Estado brasileiro não adaptou-se à globalização, embora ...